Sempre que se fala em seguro, a primeira coisa que vem à mente das pessoas é o seguro para o carro. Outros tipos de proteção, como o seguro de vida, o residencial e o seguro para micro, pequenas e médias empresas acabam ficando em segundo plano. Isso quando o pensamento e a intenção existem.

“Ainda não temos a cultura do seguro embrenhada no mindset do consumidor e, talvez, a educação formal necessária que o leve a entender a importância do produto como ferramenta de planejamento financeiro”, afirma Richard Freitas, sócio-diretor da protect.

Uma parcela da culpa é atribuída pelo executivo às próprias seguradoras e corretores ao não explicarem para o cliente, de forma simples e objetiva, os benefícios do produto, como a simplicidade de entendê-lo e contratá-lo e sua compatibilidade com a renda e as necessidades de cada pessoa. Apesar da tentativa de algumas seguradoras, que buscam melhorar suas páginas na internet com o objetivo de explicar os produtos que comercializam, Freitas ainda não vê uma ação consistente para facilitar a vida do consumidor, seja para entender os seguros e contratá-los ou acionar a companhia em caso de sinistro. Para ele, ao mesmo tempo em que o “segurês” continua sendo praxe no mercado, os corretores também deveriam entender melhor as necessidades dos clientes e explicar os benefícios de cada produto, até para deixarem de ser refém da venda do seguro automóvel e saúde, que hoje estão entre os mais procurados pelos clientes.

Proteção do patrimônio

Nenhum imóvel está salvo de incêndio, explosão, danos elétricos, desmoronamento e até mesmo das intempéries da natureza. Ainda assim, só 14,5% das residências brasileiras estão seguradas, indica a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Geralmente, o preço de um seguro residencial não passa de 0,4% do valor do imóvel. Personalizado de acordo com o perfil do cliente, o produto permite que seja adicionada a cobertura de responsabilidade civil familiar, de quebra de vidros e de perda ou pagamento de aluguel. Hoje, muitos segurados que buscam por comodidade também incluem nas apólices os serviços de assistência (chaveiro, eletricista, limpeza de caixas d’água, calhas, desentupimentos, instalação de TVs e antenas e serviços relacionados aos pets).

Aderir a um seguro residencial não pesa no bolso e evita sérios transtornos. Em fevereiro passado, por exemplo, uma casa localizada em Goiânia foi totalmente destruída após um ventilador pegar fogo e cair em cima de um sofá. As chamas se alastraram e atingiram móveis, eletrodomésticos e as roupas dos moradores. Ninguém ficou ferido, mas os prejuízos financeiros foram grandes. Além da preocupação de se recuperar o que foi perdido, um dos ocupantes ainda paga pelo empréstimo adquirido para reformar a residência, o que foi feito há dois anos.

Sobrevivência da empresa em perigo

Independente do tamanho ou da atividade econômica, a maior implicação para as companhias é sofrer prejuízos para os quais não esteja preparada para suportar. Essa situação se agrava no Brasil, onde 90% das empresas são de micro e pequeno porte. Imagine um pequeno empresário que tem um pet shop e oferece banho e tosa para cachorros. O que acontecerá se, diante de um acidente com seu automóvel, seu funcionário e um cachorro que estava sob seus cuidados falecerem? “De início, o empresário pode ter que pagar o conserto do seu carro e do carro do terceiro em que ele bateu, sem falar da problemática com a família do funcionário e do dono do cachorro”, diz Freitas.

O seguro ampara os imóveis empresariais com coberturas como responsabilidade civil do empregador, danos morais a terceiros, subtração de bens e mercadorias e tumultos ou arrastão.

Lívia Sousa
Revista Apólice